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Mudança histórica na pecuária: Brasil supera EUA na produção de carne bovina
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Mudança histórica na pecuária: Brasil supera EUA na produção de carne bovina
O mapa global da pecuária bovina deve passar por uma mudança histórica em 2025. Pela primeira vez em mais de seis décadas, o Brasil aparece à frente dos Estados Unidos como maior produtor mundial de carne bovina, segundo estimativas do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA).
O relatório divulgado na última semana aponta que a produção brasileira deve alcançar 12,35 milhões de toneladas no próximo ano, superando os 11,81 milhões de toneladas projetados para os EUA. Desde que o USDA começou a acompanhar esses dados, ainda nos anos 1960, os americanos sempre lideraram o ranking, o que torna a nova projeção um marco para o setor agropecuário brasileiro.
A estimativa internacional fica acima dos números apresentados pelo próprio governo brasileiro. Em novembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) calculava uma produção de 11,38 milhões de toneladas, já indicando crescimento, mas em patamar inferior ao previsto pelo órgão dos Estados Unidos.
O domínio brasileiro, porém, tende a ser pontual. Para 2026, o USDA projeta uma retração na produção nacional, colocando Brasil e Estados Unidos praticamente em empate técnico, com volumes estimados em torno de 11,7 milhões de toneladas para cada país.
Cenário externo favorece o Brasil
A mudança no ranking ocorre em um momento de forte instabilidade no mercado internacional de carne. Os Estados Unidos enfrentam uma combinação de fatores adversos, como a redução do rebanho bovino, custos elevados de produção e impactos de políticas comerciais adotadas pelo governo do presidente Donald Trump.
O chamado “tarifaço”, aplicado a diversos produtos importados, incluindo a carne bovina, pressionou os preços no mercado interno americano. A escassez de oferta agravou a inflação do alimento, levando o governo a discutir, inclusive, a ampliação das importações de carne da Argentina — medida que gerou reação negativa entre produtores locais.
O Brasil, apesar de ter sido alvo de sobretaxas que chegaram a 50% nas vendas para os EUA, conseguiu manter desempenho relevante no comércio exterior. Em setembro, o país registrou o maior volume mensal de exportações de carne bovina da história, conforme dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o resultado foi impulsionado pela abertura e consolidação de novos mercados, como México e Argentina, reduzindo a dependência de um único destino. Em novembro, as tarifas americanas sobre a carne brasileira foram suspensas.
Crise produtiva nos EUA
Enquanto o Brasil amplia sua presença global, os Estados Unidos lidam com a menor quantidade de gado em quase 75 anos. A redução é atribuída a um longo período de seca, que comprometeu pastagens e elevou os custos de alimentação, forçando produtores a diminuir seus plantéis.
Além disso, o país suspendeu grande parte das importações de gado do México por risco sanitário, o que apertou ainda mais a oferta interna. O reflexo direto foi o aumento dos preços pagos aos pecuaristas e dificuldades para a indústria frigorífica.
Nos últimos meses, grandes empresas do setor anunciaram o fechamento de unidades. A JBS confirmou o encerramento definitivo de uma planta próxima a Los Angeles, enquanto a Tyson Foods anunciou o fechamento de um importante frigorífico em Nebraska, com impacto direto sobre milhares de empregos.
Nesse contexto, a projeção do USDA sinaliza não apenas uma mudança estatística, mas um reposicionamento do Brasil no mercado global de carne bovina, em meio a um cenário de fragilidade produtiva nos Estados Unidos.
Fonte: G1
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