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A servidão voluntária em Arcoverde: quando o “Príncipe” vira um tirano de araque
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A servidão voluntária em Arcoverde: quando o “Príncipe” vira um tirano de araque
A situação política em Arcoverde é uma peça didática, quase uma paródia trágica, do poder e da subserviência.
O gestor, com 100% de apoio legislativo e a presidência da câmara na mão, acredita ter alcançado o pináculo da arte descrita por Maquiavel. Mas o que vemos é um equívoco grotesco. Ele confunde a virtù necessária para manter o poder e a lealdade com a simples e tola arrogância de quem se sente invencível. Maquiavel alertaria que a indiferença e o desrespeito gratuitos para com seus sustentáculos políticos não são sinais de força, mas o começo do fim. Ao maltratar os próprios apoiadores, o “Príncipe” de Arcoverde semeia o vento, mesmo que, ironicamente, ainda não tenha colhido a tempestade.
É aqui que a obra de Willem Reich, Escuta Zé Ninguém, entra como uma luva para explicar a outra face dessa moeda: a dos apoiadores. Estes vivem a mais pura expressão do “cativeiro voluntário”. Sofrem, são espezinhados e desprezados publicamente, têm a liberdade plena para buscar novos caminhos, e no entanto… ali permanecem. Grudados como carrapatos num couro magro.
Diante desse quadro, a ironia é feroz:
O “Príncipe” se acha um Leão, mas age como uma Raposa com sarna. Ostenta a força, mas perdeu a astúcia. Acha que o apoio incondicional é uma certidão de nascimento, e não um contrato em constante renovação.
Os apoiadores, por sua vez, têm o que merecem? Talvez. A liberdade, quando não é exercida, vira covardia. Preferem o conforto mórbido da conhecida humilhação à incerteza de um novo cenário político. Tornaram-se eco do poder, mas um eco que só ouve o próprio silêncio da subserviência.
O TCU e o MPE observam. E é aí que mora o perigo para o gestor. Na sua “confortável” posição, ele se esquece de que a indiferença com a opinião pública e o desrespeito às instituições de controle têm um preço que não se paga com votos na Câmara. Um dia, o silêncio dos órgãos de controle pode se transformar em um barulho ensurdecedor de processos e auditorias.
Em suma, Arcoverde vive um teatro de absurdos. De um lado, um governante que confunde poder absoluto com grossura impune. Do outro, uma base que confunde lealdade com masoquismo político. O final dessa história, como ensinam Maquiavel e Reich, tende a ser solitário: o “Príncipe” ficará sem o reino, e os “cativos”, livres enfim, descobrirão que trocaram a corrente por um vasto e desconhecido deserto. Até lá, o show de horrores continua, para delírio da plateia que assiste, incrédula, a tamanha falta de amor-próprio coletivo.
Por : Djnaldo Galindo
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