Bolsonaro minimiza atos golpistas e tenta politizar julgamento no STF

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Bolsonaro minimiza atos golpistas e tenta politizar julgamento no STF

Durante o depoimento nesta terça-feira no julgamento que investiga sua responsabilidade na tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro adotou uma postura de minimização dos atos golpistas nos quais estaria envolvido, além de tentar direcionar a narrativa para uma questão política. A sessão, transmitida ao vivo pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), foi marcada por discursos que reforçaram a autoconfiança de Bolsonaro e por tentativas de desviar o foco das acusações.

O ex-chefe do Executivo aproveitou a oportunidade para exaltar seu governo, destacando conquistas como a ampliação do Bolsa Família, a implementação do Pix, obras como a entrega do Porto de Santos e Itaipu Binacional com saldo positivo, além de afirmar que levou água ao Nordeste. Em tom irônico, Bolsonaro comentou que “quando se tenta combater a corrupção, surgem inimigos”, e brincou com o ministro Alexandre de Moraes, convidando-o para ser seu vice em 2026, uma proposta que foi recebida com bom humor pelo magistrado.

Durante o depoimento, Bolsonaro afirmou estar agindo dentro dos limites constitucionais e alegou ter sofrido perseguição por parte do STF, que teria dificultado sua gestão e impedido ações como redução de preços de combustíveis. Quanto às suspeitas relacionadas às urnas eletrônicas, ele minimizou as acusações, dizendo que não eram exclusivas dele e citando questionamentos feitos por ministros como Flávio Dino e Carlos Lupi. Tentou ainda apresentar um vídeo de Dino questionando as eleições, mas Moraes não permitiu.

No âmbito das acusações mais graves, Bolsonaro negou qualquer intenção de promover um golpe ou adotar medidas extremas como estado de defesa ou intervenção militar. Reiterou que nunca foi informado por militares sobre possíveis prisões ou ações antidemocráticas e afirmou que suas conversas com as Forças Armadas ocorreram dentro da legalidade. Apesar disso, admitiu diálogos com militares dentro do que considerou ser o âmbito constitucional.

O depoente também abordou as denúncias feitas pelo Ministério Público Federal (MPF), que aponta Bolsonaro como o principal articulador do esquema golpista com base na delação do tenente-coronel Mauro Cid. Segundo Cid, Bolsonaro teria revisado uma minuta de decreto para anular os resultados eleitorais e se recusado a conter manifestações pró-intervenção militar. O ex-presidente contesta essas alegações e afirma agir conforme a lei.

Apesar da tentativa de desqualificar as provas apresentadas, incluindo delações, documentos e mensagens, o julgamento parece estar cada vez mais voltado para um cenário político, especialmente com vistas às eleições presidenciais de 2026. Analistas observam que Bolsonaro busca transformar o processo em um palanque eleitoral, reforçando sua base mesmo diante das acusações formais.

A estratégia da defesa é minimizar as provas concretas contra Bolsonaro e sustentar que ele não participou diretamente de planos golpistas. No entanto, as evidências coletadas até agora indicam uma relação próxima entre suas ações e os relatos das testemunhas. O tribunal continuará analisando documentos e depoimentos para determinar sua responsabilidade nos eventos relacionados à tentativa de destabilização democrática.

Fonte: Correio Braziliense

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Redação

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