Crise econômica impulsiona protestos e repressão no Irã

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Crise econômica impulsiona protestos e repressão no Irã

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram cenas de destruição e confrontos em diversas cidades do Irã durante uma onda de protestos contra o governo do aiatolá Ali Khamenei. Os registros exibem carros incendiados, bandeiras rasgadas e multidões nas ruas entoando palavras de ordem contra o regime.

As manifestações começaram no fim de dezembro, em Teerã, motivadas inicialmente pela crise econômica. Em 2024, o rial perdeu cerca de metade do valor frente ao dólar, e a inflação ultrapassou 40% em dezembro. Com o avanço dos protestos e a repressão das forças de segurança, parte dos manifestantes passou a exigir a saída de Khamenei do poder.

Segundo levantamento da agência France-Presse (AFP), atos já foram registrados em 25 das 31 províncias do país, configurando a maior mobilização contra o governo iraniano desde 2009. Organizações de direitos humanos estimam que mais de 60 pessoas morreram, incluindo integrantes das forças de segurança, embora o número possa ser maior devido às restrições à circulação de informações.

Em pronunciamento, Khamenei afirmou que manifestantes destruíram prédios públicos para “agradar o presidente dos Estados Unidos” e acusou os protestos de serem influenciados por interesses externos. O líder iraniano disse que Donald Trump deveria “cuidar do próprio país”.

As manifestações intensificaram as tensões entre Irã e Estados Unidos. Trump afirmou que não tolerará mortes de manifestantes e declarou que os EUA “atingiriam duramente” o país caso isso ocorra. Em resposta, Khamenei classificou o presidente norte-americano como “arrogante” e o acusou de ter responsabilidade por mortes de iranianos em bombardeios contra instalações nucleares realizados em 2025.

Na quinta-feira (8), o governo iraniano determinou um bloqueio nacional da internet e da rede telefônica, segundo a ONG Netblocks. O dia anterior foi apontado por organizações de direitos humanos como o mais violento até o momento, com 13 mortos.

Dados da ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, indicam ao menos 45 manifestantes mortos, entre eles oito menores de idade, além de centenas de feridos e mais de 2 mil detidos. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu moderação às forças de segurança e defendeu diálogo com a população.

De acordo com vídeos verificados pela AFP, manifestantes entoaram slogans contra o líder supremo e em referência à dinastia Pahlavi, deposta pela Revolução Islâmica de 1979. As mobilizações são as maiores desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini sob custódia policial.

Fonte: G1

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Ana

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