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Festas juninas devem movimentar até R$ 7,4 bilhões neste ano, com maior destaque no Nordeste
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Festas juninas devem movimentar até R$ 7,4 bilhões neste ano, com maior destaque no Nordeste
Durante o mês de junho, as tradicionais festas de Santo Antônio, São Pedro e São João têm potencial para gerar uma movimentação financeira de até R$ 7,4 bilhões em 2023, segundo projeções solicitadas pela CNN. Esse valor concentra-se principalmente nos setores de comércio e turismo, com forte ênfase em alimentos e vestuário típico. Apesar do otimismo, há ainda um grande espaço para crescimento, especialmente se forem adotadas novas tecnologias e investimentos estratégicos.
A maior parte desse fluxo financeiro ocorre nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, atingindo especialmente populações com menor nível de escolaridade. A professora de Economia da PUC-SP, Cristina de Mello, destaca que essa cadeia econômica envolve diversos segmentos como turismo, alimentação, moda artesanal e economia criativa. “Os efeitos vão além da renda direta; há uma geração significativa de empregos temporários e renda para trabalhadores informais”, explica a especialista.
A estimativa leva em conta dados do Ministério do Turismo de anos anteriores, ajustados pela inflação de 12,18% medida pelo IPCA e por um crescimento econômico estimado em 10%. Guilherme Dietze, assessor econômico da Fecomércio São Paulo, detalha que o setor de alimentos é o mais impactado no varejo durante as festas. No segmento de vestuário, roupas tradicionais e artesanatos ganham destaque. Segundo ele, consumidores compram ingredientes em supermercados e mercearias para preparar pratos típicos ou abastecem igrejas, clubes e escolas através de atacadistas. Para decorar as festas ou vestir-se à caráter, muitas pessoas recorrem a lojas especializadas ou artesãos locais.
Cristina de Mello observa que as festas tradicionais do Nordeste atraem um público com maior poder aquisitivo e estimulam a circulação de dinheiro na região. As quermesses geram renda para os trabalhadores locais e contribuem para diminuir desigualdades regionais. Dados da Serasa apontam que cerca de 65% dos brasileiros participam das celebrações juninas; a maioria (51%) celebra na própria cidade, enquanto pelo menos 14% viajam para outros municípios ou estados em busca das festividades.
Luis Alberto Marinho, sócio-diretor da Gouvêa Malls, avalia que o impacto econômico mais relevante ocorre no Nordeste. “Cidades como Campina Grande e Caruaru vivem momentos importantes durante as festas juninas — especialmente nos setores de serviços, alimentação e hospedagem”, afirma. Ele reforça que cada região pode aproveitar suas próprias tradições festivas para impulsionar a economia local. Exemplos incluem o Festival de Parintins no Amazonas ou o Carnaval no Rio de Janeiro.
Guilherme Dietze também destaca que muitos trabalhadores ambulantes dependem das vendas durante as festas como complemento de renda ou pagamento de dívidas. Cristina de Mello acredita que há potencial para criar pequenos negócios voltados ao aumento da renda familiar e ao fortalecimento das cadeias produtivas relacionadas às celebrações.
Para ampliar esse potencial, especialistas sugerem investimentos públicos e parcerias com marcas para melhorar a infraestrutura das quermesses. Além disso, Cristina defende que as cidades desenvolvam um calendário oficial de eventos culturais ao longo do ano para manter a atividade econômica constante. O uso inteligente da tecnologia também pode ajudar: dados sobre comportamento do consumidor permitem ofertas segmentadas e personalizadas nas vendas presenciais ou online.
Renato Avelar, co-CEO da A&EIGHT, aponta que estratégias digitais baseadas em marketing regional podem fortalecer ainda mais as festas juninas. Parcerias com influenciadores locais — como chefs ou artesãos — podem agregar autenticidade às ações promocionais. Campanhas segmentadas por geolocalização aumentam a efetividade das ações digitais.
Por fim, Cristina ressalta que equilibrar tradições culturais com inovações tecnológicas é fundamental: “As festas juninas representam uma manifestação cultural importante. É preciso entender a resistência à mudança enquanto se busca oferecer experiências modernas aos diferentes públicos”, conclui ela.
Fonte: CNN Brasil
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