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Drogas ilícitas podem passar a integrar cálculo do PIB brasileiro em 2028
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Drogas ilícitas podem passar a integrar cálculo do PIB brasileiro em 2028
Uma nova metodologia estudada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderá incluir atividades relacionadas às drogas ilícitas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil a partir de 2028. A mudança faz parte da revisão periódica do Sistema de Contas Nacionais.
O objetivo é ampliar a mensuração das atividades econômicas que geram renda no país, incluindo aquelas que não estão registradas na economia formal. Segundo o IBGE, o fato de uma atividade ser informal ou ilegal não significa que ela deixe de produzir renda, consumo, emprego e movimentações financeiras.
Como os valores serão estimados
Por se tratar de atividades que não possuem registros oficiais completos, o cálculo não será feito a partir de uma simples soma de operações. A estimativa deverá combinar diferentes fontes de informação.
Entre os dados que podem ser utilizados estão registros administrativos, apreensões, pesquisas sobre consumo, preços, fluxos comerciais e outras informações disponíveis.
O professor de economia Cláudio Gonçalves dos Santos, da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), destaca que será necessário trabalhar com estimativas indiretas para dimensionar esses mercados.
O estudo do IBGE começou em 2019 e teve uma primeira estimativa em 2021. A metodologia segue recomendações internacionais previstas no manual SNA (System of National Accounts), publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), além de orientações do Eurostat sobre atividades econômicas ilegais.
A chamada economia não observada inclui atividades informais, subterrâneas e ilegais e já é considerada em metodologias adotadas por outros países. No Reino Unido, por exemplo, as drogas ilícitas passaram a integrar os cálculos a partir de 2014, juntamente com a prostituição.
Inclusão pode mudar o tamanho do PIB
A adoção da nova metodologia poderá elevar o valor nominal do PIB brasileiro, mas esse aumento não deve ser interpretado automaticamente como crescimento econômico.
Isso ocorre porque a revisão também pode alterar séries históricas do indicador. Assim, uma atividade que antes era contabilizada de forma parcial ou não era identificada pode passar a ser registrada de maneira mais abrangente, modificando o tamanho estimado da economia sem necessariamente produzir uma mudança equivalente na taxa de crescimento.
As últimas revisões das Contas Nacionais também provocaram alterações no tamanho do PIB. Nas mudanças realizadas em 2007 e 2015, o nível da economia brasileira aumentou cerca de 11% e 5,5%, respectivamente.
O pesquisador Bráulio Borges, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), avalia que uma alteração semelhante pode ocorrer na próxima revisão, prevista para 2028.
Transparência será um dos pontos de atenção
Especialistas apontam que a metodologia utilizada será fundamental para interpretar os resultados. Entre as questões envolvidas estão quais atividades serão incluídas, quais fontes serão utilizadas, a margem de incerteza das estimativas e quanto dessas movimentações já poderia estar incorporado, direta ou indiretamente, ao cálculo atual.
Para Reginaldo Nogueira, diretor-executivo do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), o período de estudos iniciado em 2019 é compatível com a complexidade da mudança.
A reconstrução das séries históricas também é considerada importante para manter critérios comparáveis entre os diferentes períodos. Sem essa compatibilidade, uma alteração na forma de medir determinada atividade poderia ser interpretada equivocadamente como crescimento econômico.
Possíveis impactos nas políticas públicas
Além de alterar a forma de medir a economia, o levantamento de atividades ilícitas pode fornecer informações para diferentes áreas das políticas públicas.
Especialistas citados na análise avaliam que conhecer melhor o tamanho desses mercados, seus preços e fluxos financeiros pode auxiliar ações relacionadas à segurança, saúde, fiscalização, prevenção e combate à lavagem de dinheiro.
A inclusão, portanto, não significa apenas contabilizar uma nova atividade no PIB. A proposta também busca ampliar a compreensão sobre setores que movimentam recursos na economia, mas que atualmente são difíceis de mensurar por ocorrerem fora dos registros convencionais.
Fonte: UOL
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