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Trump veta África do Sul e convida Polônia para integrar um “novo G20”
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Trump veta África do Sul e convida Polônia para integrar um “novo G20”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, barrou a participação da África do Sul nas próximas reuniões do G20 e convidou a Polônia para assumir a vaga do país africano, em um movimento que integra a tentativa americana de criar o que vêm chamando de “um novo G20”. A decisão provocou forte tensão diplomática entre Washington e Pretória.
Segundo o governo americano, funcionários dos EUA não devem comparecer aos encontros sul-africanos, alegando — sem comprovação — “abusos de direitos humanos” contra a minoria branca na África do Sul. A justificativa gerou discordância dentro do bloco: aliados tradicionais dos EUA, como Japão, Reino Unido e Austrália, adotaram postura mais cautelosa, defendendo evitar ações que possam ser vistas como provocação e, em alguns casos, chegando a sugerir que não haja declaração final.
A África do Sul, respaldada por integrantes do chamado Sul Global, segue em sentido oposto e quer manter na pauta temas como justiça social, tributação dos super-ricos, gestão sustentável das dívidas de países pobres e financiamento da transição energética — além de pressionar por um comunicado final substancial, mesmo sem a presença americana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a Joanesburgo nesta sexta-feira e o Brasil apoia firmemente a agenda sul-africana e a necessidade de um documento final robusto.
Esvaziamento do G20
O boicote alimenta suspeitas de que os EUA planejam esvaziar o G20 quando assumirem a presidência do grupo no próximo ano. Em setembro, em Nova York, a representante americana Allison Hooker afirmou que Washington pretende “reorientar o G20” para uma agenda econômica tradicional, excluindo temas como clima, gênero, paz e desigualdade — um recuo em relação à evolução recente do fórum. A ausência americana em Joanesburgo, no entanto, abre espaço para que outros atores realinhem as prioridades multilaterais antes bloqueadas por Washington.
Pretória afirma que os EUA já haviam antecipado vetos a menções a mudanças climáticas e a debates sobre desigualdade, inclusão, combate à fome e transição energética no texto final. A retirada desses impedimentos pode viabilizar um comunicado mais ambicioso, caso resistências de aliados dos EUA sejam superadas.
Divisões entre países ricos
Na Europa, a postura também é distinta: a França sinalizou apoio a uma declaração final, com ênfase na transição energética, cooperação empresarial com a África do Sul e gestos simbólicos sobre a luta contra o apartheid. Diplomatas franceses dizem que o presidente Emmanuel Macron defenderá a continuidade do G20 mesmo sem os americanos.
Pauta do encontro e nova composição
A cúpula foi estruturada com foco em prioridades do Sul Global e da África, incluindo preparo para desastres climáticos, estratégias de dívida sustentável para países de baixa renda, financiamento da transição energética e uso responsável de minerais críticos como lítio e cobalto. Pela primeira vez, o G20 negociou um texto específico sobre minerais críticos, com ênfase em extração responsável, beneficiamento local e repartição justa dos ganhos — demandas centrais para muitos países africanos, latino-americanos e asiáticos.
A União Africana, agora membro permanente do G20, terá participação ativa, reforçando a capacidade do continente de atuar coletivamente e de pressionar por maior justiça nas cadeias globais de valor.
Ausências e representações
Além de Trump, outros líderes como Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Claudia Sheinbaum (México) e Javier Milei (Argentina) não estarão presentes em Joanesburgo. Diferentemente do americano, porém, esses países enviarão representantes de alto nível para garantir participação nas negociações.
Fonte: CNN Brasil
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