Acidente com ônibus universitário gera preocupação entre alunos da Univasf

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Acidente com ônibus universitário gera preocupação entre alunos da Univasf

O transporte estudantil da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) voltou a preocupar alunos após um acidente envolvendo um ônibus que tombou dentro do campus de Ciências Agrárias, na manhã da última segunda-feira. Apesar do incidente, a rotina de superlotação e problemas mecânicos segue, segundo denúncias dos próprios estudantes.

De acordo com os relatos, veículos projetados para transportar cerca de 60 pessoas circulam com mais de 100 alunos. “Todo dia é isso. Se não tem espaço dentro, muita gente viaja ao lado do motorista”, disse Alexandra Rodrigues, estudante da universidade. Imagens enviadas pelos próprios alunos mostram o aperto dentro dos coletivos e a dificuldade para embarcar em pontos de parada, como no Jardim Amazonas.

Estudantes relatam ainda condições precárias dos veículos, incluindo bancos quebrados, janelas danificadas, cinto de segurança soltos e até portas que não fecham adequadamente. “Não tem como se sentir segura. É sempre janela quebrada, banco quebrado, suporte de segurar quebrado… se o ônibus freia de repente, o banco pode sair do lugar”, relatou Clara Fernanda Miranda. Outro aluno, Miguel Henrique Souza, acrescentou que muitas vezes as janelas danificadas são improvisadas com papelão e corda, dificultando a utilização em caso de emergência.

A precariedade do transporte afeta especialmente alunos vulneráveis e gestantes, como destacou Ervelin Silva. “Temos uma quantidade significativa de gestantes que precisam de assento especial, mas muitas andam em pé por falta de espaço. A superlotação também causa desmaios devido ao calor”, afirmou.

Atualmente, o campus é atendido por oito veículos, mas a manutenção é insuficiente e os estudantes reclamam da falta de segurança diária. Em setembro, um seminário organizado pela reitoria da Univasf tentou discutir soluções com o Ministério Público, gestão municipal e Câmara de Vereadores. Na ocasião, algumas propostas sugeriam encerrar o transporte oferecido pela universidade, substituindo-o por ônibus municipais, sem planejamento adequado, segundo alunos.

O pró-reitor de assistência estudantil, Clébio Pereira, explicou que a Univasf assumiu essa função diante da ausência de políticas municipais, mas que a responsabilidade pelo transporte não é da universidade. “Hoje temos cerca de 2 mil alunos circulando pelo campus, fora os servidores. Não existe uma rota de ônibus municipal que atenda a área. A universidade tomou para si essa responsabilidade, mas estamos no limite, sem orçamento para novos veículos ou manutenção adequada”, explicou. Pereira ressaltou que, desde 2018, tem buscado soluções conjuntas com o município, mas sem respostas concretas, e alertou que o fim do transporte universitário é uma possibilidade real para o próximo ano.

Em nota, a Ampla, empresa responsável pelo transporte complementar, informou que o campus é atendido por vans cadastradas na ATAP, de forma regular. A empresa afirmou já ter realizado reuniões com a universidade e que o transporte coletivo de Petrolina passa atualmente por estudos técnicos para um novo processo licitatório, visando reestruturar e ampliar o serviço.

Enquanto a situação não é resolvida, estudantes permanecem expostos a riscos diários no trajeto até o campus. O episódio do ônibus tombado apenas reforça a urgência de uma solução que combine segurança, regularidade e atenção às necessidades de quem depende do transporte universitário.

Fonte: G1

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Redação

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